segunda-feira, 1 de abril de 2013

Dia 1 – Dying To Be Alive


Primeiro dia sem Facebook. Parece ridículo, mas é uma das coisas mais estranhas que já vivi. Quer dizer, parece que as pessoas só existem porque existe um perfil no Facebook. E realmente, parece que parte de mim deixou de existir agora que o excluí. Algumas pessoas, provavelmente, nem vão notar que eu o deletei; algumas ainda vão levar um tempo pra perceber, já outras vieram, prontamente, perguntar-me o que houve.

Parece que estou sufocando aos poucos por saber que está ficando tudo pra trás. O mais estranho é que, na verdade, tudo continua no mesmo lugar. O que mudou foram as coisas do coração. Sabe aquela sensação de quando estamos tendo um sonho bom e ao sermos interrompidos tentarmos dormir bem rápido e voltar a sonhar? Pois é. Meus sonhos foram todos arrancados de mim.
Eu nunca tive a sensação de que aquela era a pessoa certa e, agora que eu tive, tenho dúvidas em saber se ter conhecido ele foi algo bom na minha vida ou não. Eu sei que houve vários bons momentos - muito mais do que momentos ruins -, mas parece que agora nada pode superar essa dor. 

Não consigo pensar em outra coisa por mais de 5 minutos. A tarde será mais difícil porque terei que ser profissional, sorrir e tratar bem as pessoas no trabalho, como se nada estivesse acontecendo aqui dentro. Deveria existir atestado médico que abonasse a ausência de alguém cujo coração está estraçalhado.

Eu deveria estar fazendo um trabalho que preciso entregar amanhã, mas não consigo parar essa sensação horrível. Parece que tem algo preso na minha garganta. E eu preciso gritar! Ou preciso mesmo é chorar! Chorar consegue me deixar entorpecida por algum tempo. Mas até parece que eu, aquela tantas vezes chamada de “ogra” e “coração gelado”, vou aparecer com os olhos vermelhos e a cara inchada em frente às pessoas. Talvez nem por orgulho, como parece ser, mas por ter de suportar as pessoas perguntando “o que aconteceu?”. Isso só acabaria anda mais comigo.

Nunca fui muito boa em conversar com as pessoas sobre meus sentimentos. Nunca! E quando se trata de sentimentos ruins a coisa piora. Eu quase não converso com meus colegas de aula, mas dos quatro com quem converso sempre, três deles eu sei que se importam de verdade comigo. Foda-se se é porque eles querem me comer! Talvez seja. Mas eles cumprem bem o papel de ombro amigo. Eles cuidam de mim. E eu queria poder conversar com eles - na verdade eu PRECISO conversar com qualquer pessoa - mas não consigo nem dizer pra mim mesma “acabou”; muito menos consigo dizer a maldita e assustadora frase “eu não tenho mais namorado”.

E a noite...
Eu paro de respirar por alguns segundos só de lembrar a tortura que vem com ela. É difícil dormir. Quando durmo tenho pesadelos. Às vezes tenho bons sonhos (o que consegue ser ainda pior que os pesadelos).
Qualquer vento mais forte vai me derrubar, eu sei.
Se isso fosse um seriado, seria Once Upon A Time; e eu saberia que alguém teria arrancado meu coração e agora estaria brincando com ele, esmagando-o. Mas não é. Isso ainda é a vida. Sinto meu coração parando de bater, morrendo aqui dentro. Eu sinto! Mas amanhã eu, provavelmente, saberei que ainda não morri. O coração ainda estará batendo. Mais devagar, mais pesado; mas ainda estará batendo. E, talvez, essa seja a pior parte: sobreviver a todas essas sensações e revivê-las, dia após dia. Até quando?

Mas agora só faltam 28 dias e 29 noites...

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