Primeiro dia sem Facebook.
Parece ridículo, mas é uma das coisas mais estranhas que já vivi. Quer dizer,
parece que as pessoas só existem porque existe um perfil no Facebook. E
realmente, parece que parte de mim deixou de existir agora que o excluí.
Algumas pessoas, provavelmente, nem vão notar que eu o deletei; algumas ainda
vão levar um tempo pra perceber, já outras vieram, prontamente, perguntar-me o
que houve.
Parece que estou sufocando aos
poucos por saber que está ficando tudo pra trás. O mais estranho é que, na
verdade, tudo continua no mesmo lugar. O que mudou foram as coisas do coração. Sabe
aquela sensação de quando estamos tendo um sonho bom e ao sermos interrompidos
tentarmos dormir bem rápido e voltar a sonhar? Pois é. Meus sonhos foram todos
arrancados de mim.
Eu nunca tive a sensação de que
aquela era a pessoa certa e, agora que eu tive, tenho dúvidas em saber se ter
conhecido ele foi algo bom na minha vida ou não. Eu sei que houve vários bons momentos
- muito mais do que momentos ruins -, mas parece que agora nada pode superar
essa dor.
Não consigo pensar em outra
coisa por mais de 5 minutos. A tarde será mais difícil porque terei que ser
profissional, sorrir e tratar bem as pessoas no trabalho, como se nada
estivesse acontecendo aqui dentro. Deveria existir atestado médico que abonasse
a ausência de alguém cujo coração está estraçalhado.
Eu deveria estar fazendo um
trabalho que preciso entregar amanhã, mas não consigo parar essa sensação
horrível. Parece que tem algo preso na minha garganta. E eu preciso gritar! Ou preciso
mesmo é chorar! Chorar consegue me deixar entorpecida por algum tempo. Mas até
parece que eu, aquela tantas vezes chamada de “ogra” e “coração gelado”, vou
aparecer com os olhos vermelhos e a cara inchada em frente às pessoas. Talvez nem
por orgulho, como parece ser, mas por ter de suportar as pessoas perguntando “o
que aconteceu?”. Isso só acabaria anda mais comigo.
Nunca fui muito boa em
conversar com as pessoas sobre meus sentimentos. Nunca! E quando se trata de
sentimentos ruins a coisa piora. Eu quase não converso com meus colegas de
aula, mas dos quatro com quem converso sempre, três deles eu sei que se
importam de verdade comigo. Foda-se se é porque eles querem me comer! Talvez
seja. Mas eles cumprem bem o papel de ombro amigo. Eles cuidam de mim. E eu
queria poder conversar com eles - na verdade eu PRECISO conversar com qualquer
pessoa - mas não consigo nem dizer pra mim mesma “acabou”; muito menos consigo
dizer a maldita e assustadora frase “eu não tenho mais namorado”.
E a noite...
Eu paro de respirar por alguns
segundos só de lembrar a tortura que vem com ela. É difícil dormir. Quando
durmo tenho pesadelos. Às vezes tenho bons sonhos (o que consegue ser ainda
pior que os pesadelos).
Qualquer vento mais forte vai
me derrubar, eu sei.
Se isso fosse um seriado, seria
Once Upon A Time; e eu saberia que alguém teria arrancado meu coração e agora
estaria brincando com ele, esmagando-o. Mas não é. Isso ainda é a vida. Sinto
meu coração parando de bater, morrendo aqui dentro. Eu sinto! Mas amanhã eu,
provavelmente, saberei que ainda não morri. O coração ainda estará batendo. Mais
devagar, mais pesado; mas ainda estará batendo. E, talvez, essa seja a pior
parte: sobreviver a todas essas sensações e revivê-las, dia após dia. Até
quando?
Mas agora só faltam 28 dias e
29 noites...
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