Eu não imaginava que isso poderia acontecer, mas hoje eu
acordei pior do que nos outros dias. Acordei me sentindo um lixo. E agora
percebo que talvez a dor maior será o processo de perdoar a mim mesma por toda
essa merda em que tornei minha vida. Eu não aguento mais essa dor que eu mesma
causei. Estou com a sensação de que vai ser impossível me perdoar enquanto ele
não me perdoar, o problema é que eu não sei o que seria mais difícil e rápido
de acontecer. Estou repetindo um mantra em minha mente, que diz: “Tudo vai dar
certo no final”, mas meu corpo não consegue entender a mensagem.
Todos os filmes e seriados que já assisti, que falavam sobre amores e desamores, foram inúteis. Mas completamente inúteis. Quando as coisas acontecem na vida real nada do que foi visto tem sentido. Não existe manual de instruções e nunca existirá.
Eu só quero poder respirar de novo. Seja lá como isso vai acabar, eu só quero deixar de sentir essa angústia! Eu só quero acordar desse pesadelo em que fiquei presa. Mas a cada decisão tomada são mil dúvidas que me cercam. Eu já criei inúmeras teorias pra acabar com tudo isso: já condenei a ele, já condenei a mim, já senti raiva dele, já senti raiva de mim, já joguei a culpa no destino, em outras pessoas e ao sobrenatural, já quis aceitar a perda, a ausência, a derrota... Mas nada! Nada disso consegue diminuir a intensidade dos sentimentos ruins. Por uns 20 minutos, pensei em viajar, pra qualquer lugar que me distraísse disso tudo. E me senti melhor. Mas o alívio nunca dura. O que mais eu posso fazer? Será que tudo o que resta será essa culpa, essa angústia, por um erro que talvez eu nunca tenha a chance de corrigir? Será?
***
Nos últimos dias, passei a acreditar naquilo que dizem sobre "é feliz aquele que ama o que faz". Este tem sido o único momento do dia em que, mesmo com este já conhecido nó na garganta, eu consigo me desviar de todos os pensamentos ruins e sorrir naturalmente. O trabalho tem me trazido a tranquilidade que as manhãs e as noites me arrancam. Penso, então, que devo aproveitar isso. Desenvolver meu lado profissional. Nem que eu vire aquelas solteironas que só vivem pro trabalho. Numa dessas ao menos consigo fazer uma grana boa, vai saber!
Por alguns minutos parece até que a ferida já fechou. E até me motivo a superar de frente tudo isso. Até topei ir tomar umas cervejas com alguns amigos do trabalho. E sabe, até há uma pontinha de esperança no dia de amanhã ser menos dolorido do que os anteriores. Ainda preciso de um tempo isolada, mas talvez esteja me fazendo mal ficar nessa sozinha, o tempo todo. Descobri que tenho bons amigos na minha volta, e não preciso me distanciar deles, fugir, só porque estou ferida, afinal, eles só querem fazer eu me sentir melhor. Chego a sentir que estou sendo egoísta com eles que também tem seus próprios problemas e ainda se preocupam comigo. Quando penso em aceitar algum convite me sinto mal, parece que estou quebrando o luto e é desrespeitoso, mas não estou indo pegar ninguém ou enlouquecer por aí; só preciso distrair essa dor pra ver se ela esquece de voltar.
***
Antes do almoço eu escrevi uma carta pra mandar pra ele, através de um amigo. Escrevi frente e verso de uma folha, com o coração na mão. Depois pensei melhor e quis mudar minhas palavras; comecei a escrever outra que não pude terminar. Eu tinha planejado hoje de manhã, antes de sair de casa, ir lá na nossa "ex" casa pegar minhas coisas. Temi encontrar ele e não conseguir (de novo), porque é dia da folga dele. Provavelmente não irie. Também não entregarei a carta. Eu sei que preciso acabar logo com isso. Começar a me desprender pra ver se a vida anda, mas algo sempre me impede. Não sei se é falta de coragem. Não sei mesmo. Talvez seja. Mas enfim... vou ver o que acontece esta noite. Talvez o amanhã seja mais tranquilo. Talvez...
Afinal, restam apenas mais 26 dias e 27 noites.
Todos os filmes e seriados que já assisti, que falavam sobre amores e desamores, foram inúteis. Mas completamente inúteis. Quando as coisas acontecem na vida real nada do que foi visto tem sentido. Não existe manual de instruções e nunca existirá.
Eu só quero poder respirar de novo. Seja lá como isso vai acabar, eu só quero deixar de sentir essa angústia! Eu só quero acordar desse pesadelo em que fiquei presa. Mas a cada decisão tomada são mil dúvidas que me cercam. Eu já criei inúmeras teorias pra acabar com tudo isso: já condenei a ele, já condenei a mim, já senti raiva dele, já senti raiva de mim, já joguei a culpa no destino, em outras pessoas e ao sobrenatural, já quis aceitar a perda, a ausência, a derrota... Mas nada! Nada disso consegue diminuir a intensidade dos sentimentos ruins. Por uns 20 minutos, pensei em viajar, pra qualquer lugar que me distraísse disso tudo. E me senti melhor. Mas o alívio nunca dura. O que mais eu posso fazer? Será que tudo o que resta será essa culpa, essa angústia, por um erro que talvez eu nunca tenha a chance de corrigir? Será?
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Nos últimos dias, passei a acreditar naquilo que dizem sobre "é feliz aquele que ama o que faz". Este tem sido o único momento do dia em que, mesmo com este já conhecido nó na garganta, eu consigo me desviar de todos os pensamentos ruins e sorrir naturalmente. O trabalho tem me trazido a tranquilidade que as manhãs e as noites me arrancam. Penso, então, que devo aproveitar isso. Desenvolver meu lado profissional. Nem que eu vire aquelas solteironas que só vivem pro trabalho. Numa dessas ao menos consigo fazer uma grana boa, vai saber!
Por alguns minutos parece até que a ferida já fechou. E até me motivo a superar de frente tudo isso. Até topei ir tomar umas cervejas com alguns amigos do trabalho. E sabe, até há uma pontinha de esperança no dia de amanhã ser menos dolorido do que os anteriores. Ainda preciso de um tempo isolada, mas talvez esteja me fazendo mal ficar nessa sozinha, o tempo todo. Descobri que tenho bons amigos na minha volta, e não preciso me distanciar deles, fugir, só porque estou ferida, afinal, eles só querem fazer eu me sentir melhor. Chego a sentir que estou sendo egoísta com eles que também tem seus próprios problemas e ainda se preocupam comigo. Quando penso em aceitar algum convite me sinto mal, parece que estou quebrando o luto e é desrespeitoso, mas não estou indo pegar ninguém ou enlouquecer por aí; só preciso distrair essa dor pra ver se ela esquece de voltar.
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Antes do almoço eu escrevi uma carta pra mandar pra ele, através de um amigo. Escrevi frente e verso de uma folha, com o coração na mão. Depois pensei melhor e quis mudar minhas palavras; comecei a escrever outra que não pude terminar. Eu tinha planejado hoje de manhã, antes de sair de casa, ir lá na nossa "ex" casa pegar minhas coisas. Temi encontrar ele e não conseguir (de novo), porque é dia da folga dele. Provavelmente não irie. Também não entregarei a carta. Eu sei que preciso acabar logo com isso. Começar a me desprender pra ver se a vida anda, mas algo sempre me impede. Não sei se é falta de coragem. Não sei mesmo. Talvez seja. Mas enfim... vou ver o que acontece esta noite. Talvez o amanhã seja mais tranquilo. Talvez...
Afinal, restam apenas mais 26 dias e 27 noites.
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